Plenário do Senado pega fogo discutindo queimadas na Amazônia

As queimadas na Amazônia, assunto que tem chamado a atenção da mídia nacional, internacional, de governos estrangeiros, de personalidades de todo o mundo e da população em geral, foi o tema mais debatido nesta terça-feira, 27, no Plenário do Senado. Parlamentares se revezaram na tribuna, preocupados com a repercussão negativa que trará à economia brasileira.

O primeiro a se pronunciar foi o senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que criticou as políticas de proteção ambiental do presidente Jair Bolsonaro. Para o senador, a gravidade da situação no Brasil, em especial na Amazônia, é fruto de uma política de desmonte das estruturas de fiscalização que o país implementou nos últimos 30 anos e que o atual governo estaria se empenhando em destruir. “Esta crise ambiental tem razões, tem causas. Não se trata de um fato casual, mas é consequência de uma política implementada pelo governo brasileiro”, disse.

Rodrigues defendeu a instalação de uma CPI para investigar as razões que levaram ao aumento da incidência queimadas na Amazônia. Ele garantiu que já conseguiu 30 assinaturas de senadores, o suficiente para instalar a CPI. Para Randolfe, ações do governo como o desmantelamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), e a redução do orçamento Ministério do Meio Ambiente (MMA) e de programas de prevenção e combate a incêndios são as causas da tragédia na Amazônia. “Um crime calculado. O poder público tem sido omisso e o Congresso deve se posicionar sobre esse assunto. Em tempos em que o presidente da República reduz a autonomia da Polícia Federal, é necessário que o Parlamento dê uma resposta. Se há crime, o Parlamento precisa investigar. Há hipótese de o caso também configurar crime de responsabilidade, ser crime de natureza política. E lugar para isso é a instituição da política, que é o Parlamento “, opinou o senador do Amapá.

O senador Plínio Valério (PSDB/AM) manifestou-se contrário à ideia do que ele chamou de internacionalizar a Amazônia. Se posicionou de acordo com a decisão do governo brasileiro de recusar a ajuda de 20 milhões de euros oferecida pelos países do G7. Para ele, o país não precisa de esmola, e sim de amizade. Valério questionou, ainda, a proposta de ajuda ocorrer, na visão dele, apenas agora. O senador não considerou o dinheiro do Fundo da Amazônia que o Brasil deixou de receber da Alemanha e Noruega. “Por que a ajuda vem após os escândalos e essa histeria que se prega? Histeria que vai de Madonna, passando por artistas brasileiros, a Gisele Bündchen, a todo mundo, falando que a Amazônia está sendo queimada. Esse pessoal não conhece a Amazônia”, discursou.

Já o o senador Marcio Bittar (MDB/AC) disse ser preciso enfrentar o problema da Amazônia sem demagogia. Ele disse que o Brasil já viveu momentos piores, em governos anteriores – sem citar que momentos foram esses e em que governos -, mas não houve a mesma mobilização. “Não me lembro de assistir os mesmos atores que hoje pregam a catástrofe fazerem antes nenhum tipo de ação para evitar que o governo brasileiro passasse pelo constrangimento por que passa hoje”.

O senador Paulo Rocha (PT/PA) criticou a declaração na qual o presidente acusa os pequenos produtores e as organizações não governamentais (ONGs) de serem os responsáveis pelos incêndios na Amazônia Legal. Para ele, é preciso que a bancada federal da Amazônia se una para defender um modelo de desenvolvimento que preserve as riquezas naturais da região. “Não dá para respeitar um presidente que fala grosso com os franceses, mas fala fino com os americanos, tentando entregar as nossas riquezas para os americanos”, disse o senador paraense, parafraseando o compositor Chico Buarque.

O senador Marcos Rogério (DEM/RO) se posicionou contrário à ideia de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as queimadas e o desmatamento na Amazônia, sugerida pelo senador Randolfe Rodrigues. De acordo com o parlamentar, isso prejudicaria o interesse nacional, a soberania nacional e o interesse regional dos estados amazônicos. Acrescentou que o momento é de maturidade, serenidade e de responsabilidade.

O senador Chico Rodrigues (DEM/RR) criticou a repercussão das queimadas na mídia e afirmou que alguns dos concorrentes do Brasil querem tirar proveito comercial de uma situação que é natural no verão. “O Brasil incomoda o mundo. Nós temos repetido isso dezenas e dezenas de vezes. Esquecem que nós somos um grande produtor que concorre com outros gigantes”, disse.

Fonte: Agência Senado

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

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