Bolsonaro chamava CPMF de contribuição maldita e desgraça, diz Plínio Valério

A possibilidade de recriação da CPMF ampliada, mais que o antigo “imposto do cheque”, foi criticada em plenário do Senado pelo senador Plínio Valério (PSDB/AM). O tucano disse que outras tentativas de recriação do extinto imposto sobre movimentações financeiras, com outros nomes maquiados, já foram repudiadas pelo Congresso e pela sociedade, e isso acontecerá novamente se o ministro da Economia, Paulo Guedes, insistir em manter a proposta seja com que alíquota for.

Valério ironizou o fato de o presidente Jair Bolsonaro (PSL), quando era deputado, ter passado duas décadas atacando a CPMF. “Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele chamou a contribuição de ‘desgraça’ e ‘maldita’. No governo Lula, disse que um deputado favorável à cobrança merecia o ‘troféu cara de pau'”, narrou o senador.

Seguindo a linha da ironia, Plínio repetiu as palavras de Bolsonaro quando deputado: “Não admitiremos a volta da CPMF. É um imposto ingrato que incide em cascata e não é justo. Não existirá a CPMF”, citou. E assumiu sua opinião: “se depender deste senador, não haverá a CPMF, porque é um imposto injusto, é um imposto em cascata que prejudica o brasileiro, que não pode mais pagar um pato do qual não viu sequer a pena”.

Plínio chamou atenção para o fato de o governo federal já ter como certo o envio da proposta da nova CPMF ao Congresso, especulando sobre alíquotas que poderiam chegar a 0,4% para quem efetuar saques e depósitos em dinheiro e outra de 0,2% para pagamentos no débito e em crédito financeiro. Pela versão oficial, a ideia é substituir gradativamente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) a contribuição patronal sobre a folha de pagamento e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

“Temos, todos nós brasileiros, todas as razões para duvidar dessa versão. Já convivemos com a CPMF em outra encarnação desse tributo. Ela foi estabelecida para embasar o Plano Real em 13 de julho de 1993 com o nome de IPMF e foi rebatizada como CPMF em 1997, vigorando até 2007, quando o Senado, esta Casa, barrou a sua prorrogação. Durante todo o tempo, estava lá o “P” de provisória, mas tinha tudo para se transformar em permanente, como seria muito do gosto de sucessivos governos”, opinou Valério.

Fonte: Assessoria de Imprensa do senador

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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