“O Barco e o Rio”, curta-metragem amazonense leva cinco de dez prêmios no Festival de Gramado

“O “Barco e o Rio” é o filme grande vencedor na categoria de Curta-metragem Brasileiro. A produção amazonense gira em torno de duas irmãs. Vera é uma mulher religiosa que vive em um barco ao lado da irmã Josi, que frequenta os bares dos arredores. O curta venceu em quatro categorias e levou os Kikitos para Melhor Filme, Melhor Direção para Bernardo Ale Abinader, Melhor Fotografia para Valentina Ricardo e Melhor Direção de Arte para Francisco Ricardo Lima Caetano. (De: FestivaldeGramado)

Curta-metragem Brasileiro – CMB

Melhor Filme – O Barco e o Rio

Melhor Direção – Bernardo Ale Abinader, por O Barco e o Rio

Melhor Fotografia – O Barco e o Rio, para Valentina Ricardo

Melhor Direção de Arte – O Barco e o Rio, para Francisco Ricardo Lima Caetano

Júri Popular

Curta Brasileiro: O Barco e o Rio, de Bernardo Ale Abinader

Diretor de ‘O Barco e o Rio’ fala sobre conquistas no Festival de Gramado

Do Garimpo CulturalManaus – O 48° Festival de Gramado, um dos principais eventos do cinema brasileiro, encerrou sua programação na noite de sábado, 26, coroando a produção amazonense ‘O Barco e o Rio’ na categoria curta-metragem nacional. A produção recebeu cinco kikitos, dos 10 possíveis (melhor filme, melhor filme júri popular, melhor direção, melhor fotografia e melhor direção de arte).

Esse feito histórico já é, de longe, o melhor desempenho de uma produção amazonense no Festival de Gramado, que marcou, oficialmente, a primeira exibição de ‘O Barco e o Rio’ em mostras e festivais. O diretor Bernardo Ale Abinader fala ao Garimpo Cultural, em entrevista exclusiva, sobre o processo de produção do curta e sobre a expressiva premiação recebida já no primeiro festival da produção. Confira!

Garimpo Cultural – Como e quando surgiu a ideia de criação do curta “O Barco e O Rio?”. Como foi o processo de produção do filme?

Bernardo Ale Abinader – A ideia do curta veio de uma atividade feita em sala de aula, na UEA, mas eu sempre tive vontade de tratar de relações familiares e explorar o ambiente do porto e a riqueza estética do Rio Negro. Nossos curtas anteriores sempre focaram mais no espaço urbano, até mesmo por conta da pouca grana que tínhamos. Dessa vez eu queria tratar de um lugar diferente.

Nós conseguimos realizar esse curta com o dinheiro do último edital de audiovisual da Manauscult. Sem esse recurso seria impossível fazer o curta do jeito que queríamos. Todo o processo de realização do filme foi trabalhoso, mas muito gratificante. Tive uma equipe maravilhosa comigo, pessoas que acreditavam no projeto. Isso foi essencial para o resultado.

GC – Qual foi a sensação de ter o filme aprovado para o Festival de Gramado, já na estreia do curta?

BAA – Ter o trabalho reconhecido em Gramado foi uma grande felicidade. Trata-se de uma ótima porta de entrada no circuito de festivais nacionais e é uma confirmação de que as histórias sobre o Amazonas, contadas por amazonenses, tem potencial de reverberar em outras regiões do país.

GC – E agora, qual a sensação de ver seu filme contemplado com cinco kikitos, um dos maiores prêmios do cinema nacional?

BAA – Eu realmente não esperava. Estou muito feliz com o reconhecimento! Ainda não tô acreditando (risos). Espero que contribua para o fortalecimento do audiovisual no Amazonas e que convença as pessoas a investirem mais em cultura na nossa região.

GC – A que você atribuiria o grande sucesso de “O Barco e O Rio” em Gramado?

BAA – Eu não sei ao certo. Acho que o nosso esforço e cuidado em mostrar as reverberações de grandes estruturas sociais, como o patriarcado e aparelhos ideológicos como a igreja evangélica (tão presente na nossa região e no país todo), nas subjetividades daquelas personagens, numa esfera íntima, isso talvez tenha cativado. Com certeza a potência estética da nossa região e a nossa tentativa de explorá-la, se distanciando do cartão-postal ou da estética da miséria, também contribuiu para o sucesso.

GC – Como você vê o cenário da produção audiovisual no Amazonas hoje?

BAA – O ano está sendo bom para o cinema amazonense, com curtas nossos nos principais festivais do país e ganhando prêmios. Acho que estamos entrando numa grande fase.

GC – Quais a dificuldades em fazer cinema no Amazonas?

BAA – Nossa, são muitas! O distanciamento que temos do resto do Brasil prejudica muito, mas sobretudo, a falta de recursos em cinema e cultura em geral é a maior dificuldade! Todo mundo que trabalha com audiovisual em Manaus sofre muito para conseguir sobreviver de forma digna, e muitos acabam se desdobrando em mil e trabalhando em outras áreas (meu caso). Se não tivéssemos tantas dificuldades, o audiovisual do Amazonas já estaria em outro patamar.

GC – Quais seus planos para o pós-pandemia? Seguir na divulgação de “O Barco e O Rio” ou já tem outra produção a caminho?

BAA – Vamos seguir na divulgação de “O barco e o rio”. Estamos na expectativa de entrar em outros festivais com o curta. Também estou me esforçando para conseguir realizar um longa-metragem do “O barco e o rio”. Neste momento estou no processo de escrita do roteiro. Irei entrar no Laboratório de Cinema Porto Iracema das Artes onde finalizarei o roteiro.

GC – Já há alguma agenda para exibição do curta em Manaus?

BAA – Sim, temos uma exibição programada do curta em Manaus ainda esse ano, mas ainda não posso dizer como vai ser.

Ficha Técnica – O Barco e o Rio

Produção Executiva: Hamyle Nobre
Direção: Bernardo Ale Abinader
Roteirista: Bernardo Ale Abinader
Elenco: Isabela Catão, Carolinne Nunes, Márcia Vinagre, Diego Bauer
Direção de Fotografia: Valentina Ricardo
Direção de Arte: Francisco Ricardo
Trilha Musical: Heverson Batista (Batata)
Trilha Sonora Original: Lucas Coelho
Montagem: César Nogueira
Desenho de Som: Lucas Coelho

Fonte: Site Garimpo Cultural

Foto: Site Garimpo Cultural

1 comentário

  1. Parabéns aí pra galera toda de o barco e o rio, parabéns pela premiação. Tô torcendo que vocês todos tenham mais sucessos com os próximos projetos que virão, que com certeza já está passeando por suas mentes. Muito legal levar o nome do Amazonas ao eixo da cultura arte – áudio visual. 👏👏👏

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