Bar do Cabelo, refúgio de universitários, roqueiros e artistas, comemora 20 anos

Por: Felipe Wanderley (texto e foto)

Mistura de boteco universitário, bar de rock e ponto de encontro e difusão de artistas e bandas da cena local, o Bar do Cabelo, que fica no entorno da Bola do Coroado, fez parte da vida de gerações de estudantes da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), de metaleiros e roqueiros em geral, além de músicos, poetas e outros “malucos-beleza” da noite manauara.

Prestes a completar 20 anos neste 31 de outubro, a casa prepara as comemorações bem ao seu estilo, isto é, com muito rock’n’roll, blues, hard core, metal e afins. A partir das 19h deste sábado, 26, o bar recebe as bandas Boomerang Blues, Roletta Rock, Sphincter, Calcanhar de Maracujá e Coirama. “Quem vier, não vai se arrepender˜, garante Carlos Coelho, o Cabelo. A entrada é gratuita.

A história

Em outubro de 1999, Carlos Coelho, o Cabelo, tinha pouco mais de 25 anos e era “apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso”. Nascido e criado no bairro do Coroado, ele já tinha feito tudo: trabalhou em fábricas do distrito, na antiga Embratel, no Centro, e como montador de forros e carpetes.

Recém-casado à época e então sem emprego fixo, ele resolveu acatar a sugestão da esposa Nadir: abrir um bar, aproveitando o intenso fluxo da boêmia estudantil da Ufam e do Inpa. “Ela (Nadir) trabalhou no restaurante da Ufam por 15 anos. Depois que a gente casou, sugeriu que a gente abrisse um bar”, conta.

De MPB a Heavy Metal

Amante de rock’n’roll, metal, mas também de música popular brasileira e amazonense, ele acabou investindo no que sentia falta: um bar eclético, que fosse além do brega que até então reinava nos demais botecos do bairro, e que tocasse de tudo um pouco, de Raízes Caboclas a Black Sabbath.

Nascia o Bar do Cabelo, que na década seguinte se consolidou como um dos principais pontos de encontro da boêmia universitária da cidade, e cuja trajetória se confunde com história de muitos estudantes e músicos da cena local. “Teve gente que entrou aqui como calouro, e hoje é doutor, mas continua frequentando o bar˜, conta ele.

Relação com bandas locais

Da mesma forma, a própria cena da música contemporânea também deve muito ao bar. Foi lá que nasceram bandas como Tucumanos e Alaidenegão, hoje referências da cena autoral manauara. O músico Magaiver, da Casa de Caba, reconhece essa relação e importância do bar para o atual cenário musical da cidade.

“O Cabelo é muito importante para essas bandas, inclusive pra Casa de Caba. Mesmo eu não estando mais na Ufam quando montei a banda, ele me ajudou a me constituir como artista. Em todas as bandas que tive, eu toquei lá. E (é importante) não apenas pelo espaço, mas pelo fato de que ele é fã declarado das bandas locais. Ele veste a camisa”, disse Magaiver.

Refúgio do rock

Uma das características mais marcantes do bar, no entanto, é a identificação com o rock’n’roll em suas mais diversas vertentes. Metaleiro desde a juventude, Cabelo abriu espaço para bandas de variados estilos de metal, hard core e punk. Desde 2009, a casa passou a realizar o Cabelo Rock Fest, que reúne todas as tribos de rock da cidade. A casa já chegou inclusive a receber a icônica banda de thrash metal brasileira Andralls.

O quê: 20 anos de Bar do Cabelo.

Quando: Neste sábado, 26 de outubro, a partir das 19h.

Quanto: Gratuito.

Bandas: Boomerang Blues, Roleta Rock, Esfincter, Calcanhar de Maracujá e Coirama.

Onde: Rua Marquesa dos Santos, esquina com Avenida General Rodrigo Otávio no sentido Japiim-Coroado.

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