Um dia seremos muitos milhões

Lúcio Carril (*)

Um dia seremos milhões nas ruas, não para gritar palavras de ordem, mas para instaurar uma outra ordem. A ordem de que todos devem ser felizes, caminhar sob o sol e sentir os raios da vida entrarem com volúpia e euforia.

Seremos milhões a caminhar sobre o asfalto quente e nele distribuir orquídeas, que subirão as árvores e cumprimentarão todas as mulheres, como quem reverencia uma companheira.

Um dia seremos milhões a desfilar pelas avenidas entoando as belas canções de Chico e em “cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar”.

Seremos, sim, milhões a declamar poesia ao nosso amor, como quem põe o coração pra cantar uma música de ninar ao filho e à filha que adormecem.

Seremos milhões a declarar os Estatutos do Homem, de Thiago de Mello, como nosso jeito de construir a vida.

“Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.”

(*) Sociólogo, especializado em Políticas Públicas e Gestão Social na instituição na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

Imagem: Léo Meneses

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