Presidente da Petrobras nega que empresa repasse aumento do preço para a população; presidente do BC diz que repassa, sim, e rápido

Deputados de diversos partidos cobraram nesta terça-feira, 14, mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras, que desde 2016 acompanha a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional e do dólar. É a chamada política de paridade internacional (PPI). O assunto foi discutido com o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, em comissão geral no Plenário da Câmara dos Deputados.

Presidente da Petrobras diz que estatal não repassa para os combustíveis a volatilidade do mercado e que regras atuais permitiram a retomada do lucro.

Em outro evento, o MacroDay 2021, promovido pelo banco BTG Pactual, em São Paulo, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos, disse que a Petrobras repassa rapidamente a alta dos preços do petróleo para os usuários. “Mais rápido que a maioria dos países”.

De acordo com o IBGE, a gasolina acumula alta de preço de 31,1% entre janeiro e agosto, contra uma inflação geral de 5,7% (IPCA). O diesel e gás de cozinha (GLP) também concentram altas (28% e 23,8%, respectivamente). O valor dos combustíveis impacta a geração das usinas termelétricas movidas a gás natural e óleo diesel.

Temos de ter uma política de preço capaz de não aviltar a situação das famílias do País”, disse o deputado Danilo Forte (PSDB/CE), autor do requerimento para a realização do debate. Para ele, a regra atual prejudica o País, que vive uma tripla crise (energética, econômica e sanitária). “A lógica do preço internacional é um fracasso para o Brasil”, reforçou o deputado Bohn Gass (PT/RS).

Mesmo entre governistas, houve questionamentos. O deputado Cacá Leão (PP/BA) defendeu que a companhia reveja sua posição. “Pergunto se não chegou a hora da Petrobras, uma empresa que lucrou cerca de R$ 43 bilhões [2° trimestre de 2021], fazer um encontro de contas com o povo brasileiro”, afirmou Leão.

O deputado Igor Timo (Pode/MG) propôs que a companhia divulgue a fórmula que usa para reajustar o preço dos combustíveis. “Ela não deveria ser pública?”, perguntou.

Volta do lucro

Durante o debate com os deputados, o presidente da Petrobras não chegou a fazer uma defesa direta da política de paridade internacional, mas afirmou que as regras atuais permitiram que estatal recuperasse o lucro, que foi de R$ 42,8 bilhões no 2° trimestre de 2021, contra prejuízo de R$ 2,7 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

Ele também disse que a estatal não repassa para os combustíveis a volatilidade do mercado. “Todo o custo que exige de produção tem sido colocado com o máximo de cuidado na hora de fazer as mudanças [dos preços]”, declarou.

Em evento do banco BNG Pactual, o presidente do Banco Central disse que a Petrobras repassa o preço dos combustíveis muito rápido, mais rápido que muitos outros países e que essa prática faz a inflação subir.

A parte de passar esse preço de commodities para o preço interno no Brasil é um pouco mais rápida, lembrando que a Petrobras, por exemplo, passa preços muito mais rápido do que grande parte dos outros países“, disse Campos Neto.

Ainda segundo Luna, a estatal responde por apenas 34% do preço do litro da gasolina na bomba. O restante é margem de lucro de postos e refinarias, tributos federais e estaduais e o custo do etanol misturado.

Deputados aliados ao governo Bolsonaro defenderam a estatal. Eles argumentaram que o principal culpado pelo alto preço dos combustíveis é o ICMS, um imposto estadual. “Está na hora dos governos estaduais, que foram tão ajudados pelo governo federal nesta pandemia, ter compreensão e colaborar”, afirmou Osmar Terra (MDB/RS).

Já o deputado Alexis Fonteyne (Novo/SP) manifestou-se a favor da paridade internacional de preços. “O Brasil não pode mais fazer política econômica com preços de combustível, como aconteceu no passado”, disse.

Termelétricas

Além do preço dos combustíveis, os deputados cobraram da Petrobras o fornecimento de gás natural para as termelétricas, que devido à crise hídrica respondem hoje a cerca de 28% da produção de energia elétrica no Brasil.

O deputado Edio Lopes (PL/RR), presidente da Comissão de Minas e Energia, afirmou que atualmente seis usinas estão sem funcionar em toda sua capacidade por falta de gás natural ou de manutenção. “Houve uma ‘sonolência’ dos diversos atores responsáveis pelo setor elétrico”, disse. Mesma crítica foi feita por Danilo Forte.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Foto: Cleia Viana/Agência Câmara de Notícias

2 Comentários

  1. Sim… existe um reajuste …

    Mais o que ocorre são os impostos que são cobrados em percentuais em cima do todo … Ex: ICMS.

    Salientando que a empresa tem todo um custo e os impostos são como trabalho escravo … Pois os tomadores de impostos nada fazem , só lucrar…

    O imposto não é um valor fixo.

    Por que os deputados não criam uma regra fixa para todo o país???

    Só um leigo não entende.

  2. Não consigo entender porque os brasileiros têm que viver sob regime de política econômica dos Estados Unidos. A gasolina produzida no Brasil têm que ter preço pra brasileiro. Não é aceitável ser auto suficiente em produção de petróleo e pagar o preço da gasolina em dólar.

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