Câmara passa terça-feira em debate sobre Amazônia

O Plenário da Câmara dos Deputados também pegou fogo no debate sobre as queimadas que afetam a Amazônia e que mobiliza o mundo inteiro, tantos na fala dos presidentes, quanto na imprensa internacional, quanto nas ruas tomadas por cidadãos e cidadãs de várias países que protestam contra o governo do presidente Bolsonaro e cobram atenção e cuidado e ações para impedir novos incêndios na região.

Para o deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos/AM), é preciso respeitar a soberania brasileira. Ele diz que “as queimadas são um fenômeno natural” e que é “lógico que pode ser agravado pelo desmatamento. Mas se pegarmos a amplitude do planeta, veremos que está havendo muito mais queimadas na África do que na Floresta Amazônica”, discursou.

O deputado fez questão de questionar o presidente da França, Emmanuel Macrom, que, na opinião de Capitão Neto, “não está cuidando nem da casa dele e quer dar pitaco aqui no nosso País: por que ele não questionou os Estados Unidos quando houve queimadas na Califórnia? Por que ele não questionou a Grécia quando houve uma queimada na ilha de Evia? E quanto ao incêndio florestal em Portugal? Por que ele não questionou nenhum desses países e agora, com interesses obscuros, vem questionar o Brasil? Nós merecemos respeito. A Amazônia pertence aos brasileiros. Aqui não é terra de Macron!”, declarou Alberto Neto.

José Ricardo, deputado do PT/AM, disse que está desde a semana passada em Manaus discutindo e procurando soluções para o drama que a Amazônia vem passando. “Participei em Manaus, juntamente como o deputado Paulo Pimenta (SP), líder do partido na Câmara dos Deputados, de um encontro com a presença de pesquisadores, professores, instituições de ensino superior e de pesquisa, várias instituições da sociedade civil, em que debatemos a questão da Amazônia”, informou. Ele contou que todos denunciaram as queimadas, o desmatamento irregular, o descaso do governo federal em relação às informações, às ações de prevenção e às ações para coibir o desmatamento ilegal na Amazônia”.

Segundo o deputado, o encontro também questionou as ameaças do governo federal em relação aos povos indígenas, às instituições de pesquisa, com os cortes de recursos das universidades, e também o fato de não haver uma política de desenvolvimento sustentável para a Região Amazônica. “Fala-se na exploração da madeira, de minérios e da Amazônia, mas não se leva em consideração a realidade da população. São mais de 20 milhões de habitantes — ribeirinhos, indígenas, trabalhadores, agricultores, pescadores, trabalhadores da área urbana — que não são levados em consideração na definição das políticas de desenvolvimento”, denunciou.

O deputado Átila Lins (PP/AM) elogiou a mobilização das Forças Armadas contra as queimadas, política anunciada por Bolsonaro na última sexta-feira, 23. “A presença das Forças Armadas no Amazonas e na região amazônica já dá o tom de que não se discute a soberania brasileira nesta imensa região. O Brasil está atento para minimizar e resolver os problemas que afligem aquela vasta região”, disse Lins.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), defendeu que o Brasil aceite os recursos oferecidos pelo G7 para combater incêndios na floresta amazônica. O anúncio do auxílio no valor US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) foi feito na segunda-feira, 26, pelo presidente da França, Emmanuel Macron, após reunião da cúpula do grupo. A ajuda, entretanto, foi recusada pelo governo brasileiro.

A deputada Erika Kokay (PT/DF) disse que o Parlamento precisa tomar uma posição em defesa da Amazônia: “70% das chuvas de São Paulo são oriundas da existência da Floresta Amazônica, o que o presidente Bolsonaro simplesmente desconhece, porque colocou no Ministério do Meio Ambiente uma pessoa que defende os interesses do latifúndio”, acusou.

Para a deputada Sâmia Bomfim (Psol/SP), Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não têm habilidade para lidar com políticas ambientais. “Desde a demissão do Ricardo Galvão, que, à frente do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) cumpriu um papel excepcional de revelar ao mundo o aumento de 170% no desmatamento da Amazônia, o governo vem endurecendo a postura com relação àqueles que defendem o nosso meio ambiente”, criticou.

O deputado Bibo Nunes (PSL/RS) defendeu o presidente. “É muita deturpação: já tem gente dizendo que Bolsonaro é uma reencarnação de Nero (imperador a quem se atribui o incêndio da cidade de Roma). Era só o que faltava”, desabafou. Ele disse que a imprensa divulga notícias falsas e tendenciosas sobre a situação. A imprensa do Brasil e do mundo inteiro. Mas ele não disse que a imprensa tem divulgado informações dadas pela NASA, instituição dos Estados Unidos, que jamais mereceu desconfiança em todo o mundo.

Dia do Fogo

Já o deputado Bohn Gass (PT/RS) acusou o governo de minimizar o avanço do desmatamento e de queimadas criminosas na região Norte. “O Ministério Público Federal, no dia 7 de agosto, avisou ao Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]: ‘Vai ter queimada’. E o Ibama, depois do dia 12, apenas respondeu que não tinha apoio da polícia do Pará e que a Força Nacional não foi dar apoio. E, no dia 10, fizeram o crime, queimaram a Amazônia”, acusou.

O deputado disse que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, deve explicações sobre o episódio.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

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