Ano começa com assassinatos de índios em Coari (AM) e Mato Grosso do Sul. Presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado reage.

Três indígenas do povo Miranha, da Terra Indígena Cajuhiri Atravessado, município de Coari (AM), na região do Médio Solimões, localizado a 363 quilômetros de Manaus, foram mortos no início desta semana. De acordo com o comando da Polícia Militar, Joab Marins da Cruz foi assassinado em sua casa, na aldeia Cajuhiri Atravessado, durante a noite de segunda-feira, 6. Marcos Marins da Cruz e Francisco Martins da Cruz foram mortos por volta das seis horas de terça-feira, 7, após localização e perseguição aos autores dos disparos contra Joab. Veja mais aqui.

A virada do ano tem sido de terror também no tekoha – lugar onde se é – Laranjeira Nhanderu, localizado no município de Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul. Em mais um episódio de violência na ofensiva intermitente sofrida pelas comunidades Guarani Kaiowá do estado, na madrugada da quarta-feira, 1º de janeiro, uma Casa de Reza foi incendiada sendo parcialmente destruída. Entre a noite e a madrugada do dia seguinte, quinta-feira, 2, homens não identificados atacaram os indígenas a tiros e invadiram algumas casas esvaziadas pela fuga de seus moradores.Veja mais aqui.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), senador Fabiano Contarato (Rede/ES), informou no início do mês que vai pedir ao Ministério Público que investigue esses ataques a comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

Na madrugada do primeiro dia do ano, quarta-feira, 1° de janeiro, a comunidade indígena Laranjeira Nhanderu, da etnia Kaiowá, localizada no município de Rio Brilhante teve a casa de reza – que está sendo construída – incendiada. De acordo com os indígenas, dois pistoleiros entraram nas casas de algumas famílias, fazendo ameaças e agressões. Nesta sexta-feira, 3, confronto com troca de tiros deixou um segurança e pelo menos dois indígenas feridos em Dourados, no sul do estado. “O fato é que essas agressões estão se tornado corriqueiras. Nossos indígenas estão sendo dizimados. Faço um apelo à imprensa: é preciso falar mais do que está acontecendo com os indígenas, ampliar o noticiário. Se não houver mais cobertura, não teremos como impedir violência e mortes”, alertou o senador Fabiano Contarato.

Além da representação junto ao Ministério Público, o Senado tomará medidas que estão sendo redigidas e serão apresentadas na volta dos trabalhos parlamentares, em fevereiro, garantiu Contarato. Entre as providências que o senador pretende tomar estão requerimentos com pedido de informações sobre ações tomadas pelo Ministério da Justiça, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), pelo governo de Mato Grosso do Sul e pelas prefeituras das cidades onde os atos de violência contra indígenas foram registrados.

O senador também quer propor a criação de uma comissão externa para visitar as comunidades indígenas sob ameaça e elaborar um de documento a ser enviado ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e à Organização as Nações Unidas (ONU). Além disso, ele pretende apresentar requerimentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Comissão de Direitos Humanos (CDH) para que os ministros da Justiça, Sergio Moro, e dos Direitos Humanos, Damares Alves, sejam ouvidos no Senado. Os senadores Eduardo Braga (MDB/AM) e Plínio Valério (PSDB/AM) são membros titulares da Comissão do Meio Ambiente; Omar Azzis (PSD/AM) é membro suplente.

Repercussão

Pelo Twitter, o senador Humberto Costa (PT/PE) – que não é membro da  comissão, compartilhou imagens do incêndio na comunidade Laranjeira Nhanderu. “A casa de reza dos Kaiowá, em Rio Brilhante (MS), foi incendiada. Onde vai parar esse estímulo ao ataque aos nossos povos originários?”, questionou o senador pernambucano.

O economista Eduardo Moreira, que já acompanhou de perto a situação de aldeias indígenas em Dourados, classificou como genocídio o que acontece com os indígenas no Brasil. “Todos os dias morre gente, todos os dias são assassinadas crianças, adultos; pessoas idosas são torturadas. Eles não têm o que comer, não têm água, luz, saneamento básico. É um caos”, lamentou.

O economista afirmou que a situação é antiga e disse que o fato de o tema ganhar destaque é positivo para que sejam adotadas providências como as que foram anunciadas por Contarato.

Fonte: Agência Senado e site do Conselho Indigenista Missionário – CMI

Foto: Povo Guarani Kaiowá (via site do CMI)

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